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Produtores brasileiros se posicionam contra as proibições relacionadas à publicidade infantil

POR MARIANA TOLEDO

Após o debate sobre o boom da animação brasileira que abriu o segundo dia do Telas Fórum, Luciana Eguti, da Birdo, Rodrigo Olaio, da Chatrone Animation, e Rodrigo de Medeiros Paiva, da Abral e da Mauricio de Sousa Produções, se reuniram para discutir a construção e a gestão de propriedades intelectuais dentro do gênero, passando pelos desdobramentos das obras em licenciamento e as recentes tentativas de proibição e limitação da publicidade voltada às crianças.

Para Rodrigo Olaio, os executivos do mercado de animação devem ter sempre em mente, já no pré-desenvolvimento do projeto, quais serão as formas de tornar esse produto rentável. Rodrigo explicou que os direitos autorais e conexos podem e devem ser explorados, pois isso gera possibilidade de agregação de valor e comercialização. Como exemplo, ele apresentou Tainá, um filme de live action dos anos 2000 que virou desenho, e o Menino Maluquinho, livro do Ziraldo que também se desdobrou em animações. São cases também os filmes da Luna e do Peixonauta, propriedades intelectuais da TV Pinguim que saíram das TVs e foram para o cinema.

Olaio apresentou ainda dados expressivos relacionados ao licenciamento, “um mercado único, que gera receita maior do que os próprios filmes”, segundo ele. No mundo, são US$52 bilhões em movimentação oriundos de licenciamento – US$ 6 bilhões só no Brasil. A estimativa, para 2019, é de R$19 bilhões, com 60% desse licenciamento vindo do entretenimento. Um exemplo clássico de case bem sucedido nesse sentido é A Galinha Pintadinha, que alcançou R$371 milhões em 2016. “A regra é buscar dentro da propriedade todas as possibilidades possíveis”, endossou.

À frente da produtora de animação paulista Birdo, Luciana Eguti abordou a relação criação X mercado, muitas vezes vista sob um espectro negativo por parte da equipe criativa. “Para nós, esses dois mercados trabalham juntos, de forma a entender um o objetivo do outro”, explicou. Como case, Luciana apresentou Vinicius e Tom, mascotes das Olimpíadas do Rio de Janeiro que viraram animação – e, claro, se desdobraram em uma gama gigantesca de produtos licenciados. A produção original da Birdo, Oswaldo, também foi explorada: contou com a veiculação na Cultura e no Cartoon até ganhar o mercado internacional.

E a publicidade nessa história?

Representando a Abral, Rodrigo Paiva trouxe uma questão delicada ao painel de discussão: o panorama atual da publicidade voltada ao público infantil e sua relação com os produtos audiovisuais. Para abordar a questão, ele levantou a cronologia do tema no Brasil, que passa pelo Projeto Criança e Consumo, em 2006, que visava banir todo tipo de publicidade e propaganda para crianças; a pressão em cima das empresas e no Conar ao longo do período de 2008 a 2014; até chegar às discussões mais específicas em torno da proibição nos dias de hoje.

Paiva apresentou a resolução sobre publicidade infantil apresentada pelo Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) em 2014, chamando atenção para alguns tópicos que, segundo ele, são bastante radicais, tais como a proibição do “excesso de cores” nos produtos e a aparição de personagens em materiais didáticos, como cadernos escolares. A grosso modo, isso proibiria até a comercialização dos gibis, uma vez que eles são expostos nas bancas e estão ao alcance das crianças. “É uma forma de censura”, bradou Rodrigo.

O executivo ressaltou ainda os problemas que essas resoluções trariam em pontos econômicos – entre elas, a queda dos valores de produção, a diminuição dos empregos e a consequente queda nos salários e nos tributos arrecadados. As crenças da Abral alegam que:
– Como acontece com todo problema complexo, não existe solução simples;
– A educação é o melhor caminho, e não a proibição. É preciso, antes de mais nada, empoderar os pais para que discutam com seus filhos, de acordo com os valores da família, que tipo de produto ou serviço é adequado que eles consumam.

Por fim, todos os participantes do painel concordaram que as possíveis medidas restritivas abrem espaço imediato para a pirataria já que, uma vez proibidos os licenciamentos, o mercado daria seu jeito de resolver a demanda das crianças, que vai continuar existindo.

Fonte: Teletela

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